Das Kapital

de Marcello Mercado (Argentina, 2000)

O trabalho, baseado na obra de Karl Marx, questiona o papel da imagem na sociedade moderna. Ao elaborar o vídeo, Mercado usou recursos de tratamento de imagens e inverteu o formato de numeração dos quadros do vídeo, criando uma zona cinzenta entre as imagens férreas artificiais e cenas de cadáveres reais.

Marcello Mercado, videoartista, performer e artista plástico residente na Alemanha, cria obras que misturam técnicas de animação e pensamento antropológico e político. Venceu a 12ª edição do Videobrasil (Festival Internacional de Arte Eletrônica), em 1998, com o vídeo The Warm Place. Seu projeto mais ambicioso é publicar na internet uma HQ animada de 200 capítulos intitulada Mutter.

Borderhack

 

de  Fran Ilich (México, 2001)

borderhack

Borderhack é um evento simbólico, um festival de ativistas virtuais e reais, pessoas que questionam as formas como são definidas as fronteiras e as leis de imigração. Attachment é uma exposição online curada por Ilich para o Borderhack, do qual participam artistas e contestadores relacionados ao universo da cibercultura em geral, como Mark Amerika, Oliver Ressler e Rafael Lozano-Hemmer.

Conheça outras obras que usam a arte tecnológica como forma de manifestação urbana.

Fran Ilich, artista mexicano, sempre preocupado com o uso da informática e da internet na sociedade e nos meios educacionais, ocupou em 1975 o cargo de diretor do Cinemátik 1.0, o primeiro festival de cibercultura da América Latina. Cineasta e escritor, é autor do romance Metro-Pop. Hoje, trabalha no media center do Centro Nacional de las Artes, na Cidade do México.

Problemarket

 

de Davide Grassi e Igor Stromajer (Itália – Eslovênia, 2000)

Uma sátira do mundo das corporações globalmente conectadas. Os artistas montaram uma empresa fantasma com sede em Liubliana, Eslovênia, que administra fundos no Problem Stock Exchange, mercado de ações de problemas gerados pelo capitalismo global. A Problemarket.com atua como uma empresa “normal”, lançando “balanços patrimoniais” e demonstrando seus “livros comerciais” ao público.

Conheça também Mejor Vida Corp. (MVC), obra de Minerva Cuevas que critica a sociedade de consumo, o clientelismo político e consumismo desenfreado.

Davide Grassi, graduado na Academia de Belas Artes de Milão, desenvolve trabalho com forte conotação política e social, aproveitando-se de diversos meios digitais. É autor de performances, vídeos, instalações, documentários e trabalhos com novas mídias. De origem italiana, mudou-se para Liubliana, capital da Eslovênia, em 1995.

Teleporting an Unknown State (Teleportando um Estado Desconhecido)

 

de Eduardo Kac (Brasil- Estados Unidos, 1994-1996)

Trata-se de uma instalação em que os participantes controlam, pela webcam, a intensidade de um gerador de energia luminosa, necessária para que uma planta em crescimento realize a fotossíntese. Os fótons de câmeras do mundo inteiro são transportados para a área da instalação e aplicados, no período da exposição, para germinar uma pequena planta. A experiência cria, assim, um ecossistema virtual e coletivo.

Saiba mais sobre interatividade, conceito central para alguns criadores de arte tecnológica.

Eduardo Kac, artista visual brasileiro, residente nos Estados Unidos. Trabalha com a chamada “arte transgênica”. Sua obra, uma coelhinha fosforescente geneticamente modificada, foi um dos destaques da exposição Gene(sis): Contemporary Art Explores Human Genomics, na Henry Art Gallery, da Universidade de Washington, em Seattle, em 2002.

Alternative Economics, Alternative Societies

 

 de Oliver Ressler (Áustria, 2003-2004)

Alternative Economics, Alternative SocietiesUma instalação de vídeo focada em modelos e utopias para diversas economias e sociedades que propõem alternativas ao sistema capitalista e perderam sua força motriz após a queda do Muro de Berlim, em 1989. Na estrutura da obra, conceitos teóricos de sociedades alternativas, modelos históricos não oficiais e idéias utópicas são apresentados em vídeos de 20 a 37 minutos.

Conheça também obras de Clemente Padin que exploram temas como o pacifismo e documentam formas inusitadas de manifestações políticas.

Oliver Ressler, nascido em Knittelfeld, Áustria, realiza projetos com temas sociais e políticos. Desde 1994 seus trabalhos estão concentrados em racismo, globalização, desenvolvimento sustentável, engenharia genética e formas de resistência. Formado pela Universidade de Artes Aplicadas de Viena, fez residência no Banff Centre, no Canadá.

On Translation: El Aplauso

 

de Antoni Muntadas (Espanha, 1999)

Uma desconstrução da sociedade do espetáculo e do chamado “terrorismo de estado”. Trata-se de uma instalação composta de três telas de DVD: na central, há imagens televisivas de atrocidades (políticas ou não). Nas laterais, a multidão aplaude cada vez que entra ou sai uma imagem marcante na tela principal.

Conheça também Das Kapital, obra de Marcello Mercado, que questiona o papel da imagem na sociedade moderna.

Antoni Muntadas, artista catalão, cria, a partir dos anos 70, vídeos e instalações que abordam questões relativas aos ícones de representação do poder e os artifícios dos sistemas de comunicação. Desde sua primeira exposição individual, em Madri, em 1971, tem participado freqüentemente de exposições internacionais. Vive e trabalha em Nova York.

Vida 6.0

de Fundación Telefonica – org (Espanha, 2003)

Vida 6.0Documentário sobre a famosa mostra competitiva de vida e inteligência artificial patrocinada pela Fundación Telefonica, de Madri. Genética digital, robótica, algoritmos caóticos, vírus de computador e ecossistemas virtuais são as linhas mestras de Vida, que já está em sua quinta edição.

Unknown Quantity

de Andrei Ujica e Johannes Fischer (Romênia – Alemanha, 2002)

O cineasta romeno Andrei Ujica filmou uma conversa sobre o acidente de Chernobyl entre Paul Virilio e Svetlana Aleksievich, autora de um livro com entrevistas de testemunhas e vítimas da tragédia na Rússia. A conclusão é de que Chernobyl transcendeu a esfera factual, tornando-se um “acidente do conhecimento”, devido à dificuldade com que foi assimilada pela opinião pública. Os espectadores literalmente “sentem” que estão participando da conversa, montada por Fischer com uma simples técnica de projeção em 3D.

Andrei Ujica nasceu na Romênia em 1951, onde estudou literatura. Desde 1968, atua como escritor. Lecionou literatura e teoria da mídia em Heidelberg. Mora na Alemanha desde 1981. A partir de 1990, dirige filmes e documentários. Atualmente é diretor do Film Institute, departamento de audiovisual do ZKM.

Close

 

de Iain Mott, Experimenta Media Arts (Austrália, 2001)

 

“Close é uma instalação que inclui projeção de vídeo em várias telas e tenta tornar nebulosa a separação entre espectador e objeto com a utilização de som em três dimensões. O espectador usa fones de ouvido e ouve sons a partir da perspectiva do objeto. Close retrata um corte de cabelo como uma forma de morte. O cabeleireiro, em um processo de eliminação gradual das características do objeto, remove fios de cabelo e sobrancelhas com tesouras e lâminas de barbear. O espectador passa a habitar o corpo do objeto como se estivesse observando o próprio desaparecimento. O compartilhamento dessa experiência ritualística permite explorar os territórios da morte e da perda.”  Iain Mott, artista.

Conheça outras obras que lidam com espaços virtuais imersivos.

Cyborg Sex Manual

 

de Piotr Wyrzykowski (também conhecido como Peter Style), Wro Center for Media Art Foundation (Polônia, 2000)

 

“Vivemos numa época de imenso progresso científico e tecnológico, situação que gera novas condições para estabelecermos contatos com o mundo. A tecnologia continua a alterar o ambiente e, apesar de muitas novidades terem ficado para trás, não chegamos ao fim da linha: as transformações ocorrerão de maneira ainda mais acelerada. Essas alterações exercem grande influência na psicologia, mentalidade e fisiologia humanas, além de aumentarem a pressão sobre os corpos e os relacionamentos. O processo foi de tal forma arrebatador e complexo que muitos de vocês, sem perceber, alcançaram status de cyborg”, criador da obra Piotr Wyrzykowski (também conhecido como Peter Style).

Para entender a obra: leia também a resenha de Me ++ – The Cyborg Self and the Networked City, de William J. Mitchell. Nele, o autor vê o humano como “um núcleo biológico cercado por sistemas construídos e estendido por meio de fronteiras e redes”.