por Thiago Rosenberg, 21 de Julho de 2006
As similaridades entre um organismo vivo, com seu complexo sistema imunológico, e o funcionamento de máquinas, igualmente complexas, pautaram o quinto encontro do Simpósio Emoção Art.ficial 3.0, Seres Humanos, Reflexões e Máquinas. Participaram do debate o imunologista brasileiro Nelson Monteiro Vaz e a artista francesa France Cadet.
A fala de Vaz destoou da dos demais participantes do evento na medida em que se limitou às questões da sua área, a biologia, deixando ao público a tarefa de relacioná-las ao funcionamento de máquinas. Ele abordou processos do sistema imunológico – entre os quais a capacidade de rejeitar ou não organismos estranhos ao corpo –, entendidos por muitos como inteligentes. Mas uma das conclusões apresentadas pelo cientista, que conviveu com os biólogos chilenos Francisco Varela e Humberto Maturana, aponta para a idéia de que “a inteligência do sistema imunológico está em nossas percepções”.
Polêmicos robozinhos
France acrescentou à discussão doses de arte e crítica. Ou, mais especificamente, arte crítica. Ela comentou seu trabalho com cães-robôs, Dog[LAB]01, de 2004, presente na mostra do Emoção Art.ficial 3.0. São sete robôs autônomos, cães com características de outras espécies de animais, previamente programados e coordenados para agirem de determinada maneira. Referência ao primeiro mamífero clonado e obra crítica a experimentos do tipo, Dolly é 50% cachorro, 30% ovelha, 15% vaca e 5% carneiro. Um cão-robô com pelagem de vaca, sujeito a constantes alterações comportamentais, como se sofresse da doença da vaca louca, ou Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB).
Jelly Doggy, por sua vez, representa um cachorro com genes de camaleão e água-viva, mas que não se adapta nem à terra e nem à água. Dotado de proteína verde fluorescente, ou Green Fluorescent Protein, o GFP Puppy faz alusão a Alba, o coelho fluorescente de Eduardo Kac.
Insatisfeita com a forma como uma parcela do público reagia à instalação, divertindo-se e não se sensibilizando criticamente com as ações realizadas pelos robôs, France pensou em um projeto mais ousado. Em Dog[LAB]02, de 2006, são 20 os robôs – todos idênticos, como clones – que simulam os sintomas da doença da vaca louca, numa performance que termina com a morte simultânea de todos. “Queria criar algo mais assustador”, revelou a artista, que, pela repercussão da obra, conseguiu atingir seu objetivo. “Diziam que eu era uma artista insensível, que não deveria falar sobre a doença da vaca louca, que estava planejando um boicote etc. É engraçado como um simples robozinho pode causar tanta polêmica.”
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Tags: clonagem, engenharia genética, performance, robótica
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