robótica « emocao art.ficial

Robotarium SP

 

por Leonel Moura (Portugal, 2010)

Instalado no Jardim Central de Alverca, em Vila Franca de Xira, Portugal, o Robotarium é o primeiro zoológico de robôs do mundo. Com base nas criaturas portuguesas, cinco pequenos robôs – distintos em sua morfologia e em seu comportamento – foram construídos com exclusividade para a mostra Emoção Art.ficial 5.0 – Autonomia Cibernética.

O artista Leonel Moura trabalha na área de inteligência artificial e robótica. Criou o Robotarium em 2007 e, no mesmo ano, inaugurou em Lisboa a galeria LEONEL MOURA ARTe, voltada exclusivamente para exposições de obras feitas por robôs. Conheça também RAC3 – Robotic Action Painter, um robô-artista criador por Moura.

Caracolomobile

 

por Tania Fraga (Brasil, 2010)

Um organismo artificial, semelhante a um caracol, tem a capacidade de reconhecer diferentes estados emocionais humanos, respondendo a eles de modo expressivo por meio de sons e movimentos. A obra é inspirada na computação afetiva, campo de pesquisa cujo foco é a interação “psíquica” entre humanos e sistemas artificiais.

Saiba mais sobre interatividade, conceito central para alguns criadores da arte tecnológica.

Tania Fraga é artista e arquiteta. Doutora em comunicação e semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP), realiza pós-doutorado na USP. Foi professora do Instituto de Artes da Universidade de Brasília (UnB), onde atua como pesquisadora associada. Trabalha com arte computacional interativa desde 1987, usando tecnologias de realidade virtual.

Projeto Amoreiras

 

por Grupo Poéticas Digitais (Brasil, 2010)

Cinco amoreiras reais, dispostas em frente à sede do Itaú Cultural, “aprendem” – por meio de um dispositivo de medição de poluição sonora – a vibrar ao captar um ruído. O projeto tem o objetivo de, com isso, aumentar as chances de sobrevivência das árvores, agora capazes de produzir alertas em possíveis situações de risco.

Saiba mais sobre autonomia, conceito central para alguns criadores de arte tecnológica.

O Grupo Poéticas Digitais – que, para este projeto, contou com a participação de Gilbertto Prado, Agnus Valente, Andrei Tomaz, Claudio Bueno, Daniel Ferreira,  Luciana Ohira, Lucila Meirelles, Mauricio Taveira, Nardo Germano, Sérgio Bonilha, Tania Fraga e Tatiana Travisani – foi criado em 2002 no Departamento de Artes Plásticas da Universidade de São Paulo (USP). O coletivo visa gerar um núcleo multidisciplinar, promovendo o desenvolvimento de projetos experimentais e a reflexão sobre o impacto das novas tecnologias no campo das artes.

Hysterical Machines

 

por Bill Vorn (Canadá, 2006)

Cinco robôs artrópodes movimentam-se de forma orgânica mas brusca: um comportamento inesperado, já que é realizado por máquinas que, supostamente, deveriam ser apenas funcionais. O objetivo da obra é induzir a empatia do espectador a entidades robóticas, que de fato são mais do que um punhado de estruturas metálicas.

Saiba mais sobre interatividade, conceito central para alguns criadores de arte tecnológica.

Bill Vorn se dedica à arte robótica desde 1992. Professor titular na Universidade de Concórdia, Canadá – onde leciona arte eletrônica –, é responsável pelo laboratório de pesquisa de criação de arte robótica (Alab) do Instituto Hexagrama, também no Canadá.

Bion

 

por Adam Brown e Andrew H. Fagg (Estados Unidos, 2006)

Uma rede de sensores é ligada a cerca de mil dispositivos que gorjeiam como seres vivos. Cada uma dessas “formas de vida”, chamadas “bion”, comunica-se entre si e reage à presença dos espectadores. O título da obra faz referência a um elemento energético biológico primordial, identificado como “orgone” pelo cientista Wilhelm Reich.

Saiba mais sobre interatividade, conceito central para alguns criadores da arte tecnológica.

O artista Adam Brown trabalha na fronteira entre ciência, tecnologia e arte. Ele se interessa, mais especificamente, pelas relações entre humanos e vidas sintéticas. Andrew H. Fagg é doutor em ciência da computação e atua como professor associado de bioengenharia na Universidade de Oklahoma, Estados Unidos.

Silent Barrage

 

por SymbioticA (Austrália – Estados Unidos, 2008-2009)

 

Robôs movem-se verticalmente ao longo de várias colunas, deixando rastros que são, na verdade, a representação dos disparos de neurônios de roedores, cultivados num recipiente de vidro localizado a milhares de quilômetros de distância. Paralelamente, sensores ao largo da instalação capturam os movimentos do público, que, por sua vez, também fazem os robôs se deslocarem.

Para saber mais: assista ao vídeo do artista Leonel Moura falando sobre robôs. “São uma nova forma de vida e tem de ser considerados como espécie”.

O coletivo SymbioticA une os artistas Guy Ben-Ary e Philip Gamblen, os engenheiros Peter Gee, Nathan Scott e Stephen Bobic e o dr. Steve Potter, neurocientista do Laboratório de Neuroengenharia de Georgia Tech, Atlanta, Estados Unidos. Instalado na Escola de Anatomia e Biologia Humana da Universidade da Austrália Ocidental, o grupo une a arte à ciência, incentivando o pensamento crítico sobre as questões éticas e culturais que envolvem a manipulação da vida.

Autoportrait

 

por robotlab (Alemanha, 2002)

Munido de uma caneta, um robô traça retratos de humanos e, em seguida, destrói as imagens – ato que questiona, entre outras coisas, a universalidade da autoria e o antropocentrismo do fazer artístico.

Conheça também outro robô-artista: RAP3, Robot Action Painter, de Leonel Moura.

robotlab é um grupo fundado em 2000 por Matthias Gommel, Martina Haitz e Jan Zappe, artistas interessados no uso experimental e artístico de robôs industriais – máquinas normalmente utilizadas em fábricas. O coletivo é parceiro do Centro de Arte e Mídia de Karlsruhe (ZKM), na Alemanha.

RAP3 – Robotic Action Painter

 

de Leonel Moura (Portugal, 2006)

 

Um robô artista que realiza pinturas em estilo abstrato gestual baseado em informações em seu código e em inputs do público. Desde 2007 encontra-se na sala dedicada à evolução da humanidade no Museu de História Natural de Nova York, em permanente atividade criativa. O artefato gera composições originais, decide por si próprio quando o desenho está pronto e assina no canto inferior direito como qualquer artista humano.

Saiba mais sobre Cibernética, e entenda conceitos de base da inteligência artificial.

Leonel Moura é um artista que trabalha na área de inteligência artificial e robótica. Criou em 2007 o Robotarium, o primeiro zoológico de robôs, localizado em Alverca, Portugal. No mesmo ano, inaugurou em Lisboa a Galeria Leonel Moura Arte, voltada exclusivamente para exposições de arte criada por robôs.

Sobre Homens e Cães-Robôs

por Thiago Rosenberg, 21 de Julho de 2006

As similaridades entre um organismo vivo, com seu complexo sistema imunológico, e o funcionamento de máquinas, igualmente complexas, pautaram o quinto encontro do Simpósio Emoção Art.ficial 3.0Seres Humanos, Reflexões e Máquinas. Participaram do debate o imunologista brasileiro Nelson Monteiro Vaz e a artista francesa France Cadet.

A fala de Vaz destoou da dos demais participantes do evento na medida em que se limitou às questões da sua área, a biologia, deixando ao público a tarefa de relacioná-las ao funcionamento de máquinas. Ele abordou processos do sistema imunológico – entre os quais a capacidade de rejeitar ou não organismos estranhos ao corpo –, entendidos por muitos como inteligentes. Mas uma das conclusões apresentadas pelo cientista, que conviveu com os biólogos chilenos Francisco Varela e Humberto Maturana, aponta para a idéia de que “a inteligência do sistema imunológico está em nossas percepções”.

Polêmicos robozinhos
France acrescentou à discussão doses de arte e crítica. Ou, mais especificamente, arte crítica. Ela comentou seu trabalho com cães-robôs, Dog[LAB]01, de 2004, presente na mostra do Emoção Art.ficial 3.0. São sete robôs autônomos, cães com características de outras espécies de animais, previamente programados e coordenados para agirem de determinada maneira. Referência ao primeiro mamífero clonado e obra crítica a experimentos do tipo, Dolly é 50% cachorro, 30% ovelha, 15% vaca e 5% carneiro. Um cão-robô com pelagem de vaca, sujeito a constantes alterações comportamentais, como se sofresse da doença da vaca louca, ou Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB).

Jelly Doggy, por sua vez, representa um cachorro com genes de camaleão e água-viva, mas que não se adapta nem à terra e nem à água. Dotado de proteína verde fluorescente, ou Green Fluorescent Protein, o GFP Puppy faz alusão a Alba, o coelho fluorescente de Eduardo Kac.

Insatisfeita com a forma como uma parcela do público reagia à instalação, divertindo-se e não se sensibilizando criticamente com as ações realizadas pelos robôs, France pensou em um projeto mais ousado. Em Dog[LAB]02, de 2006, são 20 os robôs – todos idênticos, como clones – que simulam os sintomas da doença da vaca louca, numa performance que termina com a morte simultânea de todos. “Queria criar algo mais assustador”, revelou a artista, que, pela repercussão da obra, conseguiu atingir seu objetivo. “Diziam que eu era uma artista insensível, que não deveria falar sobre a doença da vaca louca, que estava planejando um boicote etc. É engraçado como um simples robozinho pode causar tanta polêmica.”

Saiba mais sobre Cibernética, e entenda conceitos de base da criação de robôs.

Performative Ecologies

 

de Ruairi Glynn (Inglaterra, 2007)

 

Uma comunidade de quatro robôs orienta-se por meio de um software de reconhecimento de padrões faciais. A obra examina o potencial interativo (e não apenas responsivo) de elementos robóticos ao se engajar em formas de comunicação performativas e não-verbais com o público.

Saiba mais sobre cibernética, conceito central para alguns criadores de arte tecnológica.

Ruairi Glynn começou sua carreira artística como escultor. Estudou design interativo na Universidade Central Saint Martins de Arte e Design, em Londres, e no Instituto de Arte Digital e Tecnologia, em Plymouth. É integrante do grupo Interactive Architecture, da Escola de Arquitetura Bartlett, em Londres. Foi aluno do ciberneticista inglês Ranulph Glanville.