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Centros de artemídia revelam linhas de trabalho

por Carlos Costa, 12 de Agosto de 2002
fotos de Rubens Chiri

Dirigentes de cinco importantes centros de produção e pesquisa em artemídia do mundo deram as cartas sobre o funcionamento das instituições, durante a segunda mesa do [ emoção art.ficial ], na noite de segunda-feira, dia 12. Mostrando obras de destaque da produção, explicando as linhas de pesquisa e fomento que adotam e revelando orçamentos, interesses e opiniões, os participantes ajudaram a compor o cenário de como trabalham os grandes centros de artemídia.

A abertura ficou a cargo de duas representantes da instituição australiana Experimenta, Fabienne Nicholas e Elizabeth Hughes, que trabalha com pesquisa e desenvolvimento de vídeos digitais e instalações, atrelados ao desenvolvimento tecnológico e congruências entre diferentes ciências. Sem galeria ou instalações específicas para exposições, a instituição expõe as obras e projeta os vídeos em diversos locais, de galpões a residências.

Para o próximo ano, prepara a exposição House of Tomorrow, que pretende mostrar uma casa completamente interativa, que retrate o possível futuro nos imóveis residenciais, com criatividade. Segundo Elizabeth Huges, a exposição irá acontecer na região metropolitana de Melborne. A instituição está aberta para sugestões e projetos relativos à House of Tomorrow. Maiores informações podem ser obtidas no site.

O presidente do Iamas, Itsuo Sakane, do Japão, falou sobre a história da criação do instituto, mostrou imagens de parte do vasto e amplo acervo que possuem, ressaltou a preocupação com ensino e a ajuda das parceiras com empresas privadas, característica também presente no Experimenta. O maior destaque ficou com as projeções das obras, que provam que a artemídia transita pelas mais diferentes áreas do conhecimento humano e tem forte apelo lúdico.

Dando continuidade às palestras, Audrey Navarre, da Fondation Daniel Langlois, do Canadá, explicou as linhas de trabalho da fundação, entre elas o programa voltado ao desenvolvimento de projetos de organizações, que prioriza iniciativas vindas da América do Sul e do Nordeste da África.

A fundação foi criada por Daniel Langlois, o responsável pelo primeiro curta de animação digital do mundo, e tem como objetivo ajudar a pesquisa e a implantação de projetos que vêm de países em desenvolvimento. O site da fundação oferece mais informações sobre os programas.

Vindo da Polônia, Piotr Krajewski contou a experiência do WRO – Center for Media Art, nascido na época em que o país ainda vivia sob o regime comunista. A instituição apresenta funcionamento em moldes parecidos às demais e se dedica exclusivamente à artemídia.

Reanimando a platéia, a curadora do Banf Center, do Canadá, Susan Kennard, ressaltou a pesquisa que a instituição vem realizando em relação a trabalhos e obras de arte que abordam as restrições emocionais da tecnologia, a exemplo da obra Talk Nice, que faz parte da exposição [ emoção art.ficial ] e foi produzida e desenvolvida por meio de linhas de pesquisa e fomento da instituição.

Info.Table

 

de Kei’ichi Irie, Iamas – The International Academy of Media Arts and Sciences (Japão, 2001)

“O que aconteceria se os elementos de que se constitui nossa vida cotidiana, como eletrodomésticos, mobília, paredes, pisos e estruturas, fossem capazes de realizar funções relativas a cálculos e formação de redes? Isso representaria a possibilidade de transformar o ambiente em que vivemos em uma interface para informação. A mudança influenciaria o modo como trabalhamos, nos comunicamos e a própria definição de comunidade. Um livro em Info.Table difere completamente de publicações tradicionais e pode oferecer, além de dados estáticos, informação viva, por uma interface interativa.” , criador da obra Kei’ichi Irie.

Saiba mais sobre interatividade, um conceito central para alguns criadores de arte tecnológica.

Remain In Light

 

de Haruki Nishijima, Iamas – The International Academy of Media Arts and Sciences (Japão, 2001)

 

“Reunimos trechos de ondas elétricas provenientes de comunicação analógica em um ‘kit eletrônico de coleta de insetos’. O sistema é dotado de uma ‘caixa eletrônica para depósito de espécimes’, na qual os espectadores podem observar essas ondas.”, criador da obra  Haruki Nishijima

 A obra foi instalada na Estação Sé do metrô de São Paulo