por Fabrízio Penteado, 5 de Julho de 2004
fotos Rubens Chiri
Como novas formas de tecnologia interferem nos conceitos referentes à vida? Na palestra desta segunda-feira à tarde, debatedores explanaram suas opiniões sobre o paradigma criado pela divergência das novas mídias em relação ao ser humano e questionaram até que ponto pode ser considerada ética a utilização dos recursos tecnológicos.
Moderada por Eduardo de Jesus, a palestra teve a presença da crítica de arte francesa Anick Bureaud e dos artistas Eduardo Kac, Paula Sibilia e Roy Ascott. Anick ressaltou a arte tecnológica como uma das novas formas artísticas e, mais importante, como uma arte da nova mídia que surge, a digital.
Aqueles que ansiavam em ver o coelho fosforescente, modificado geneticamente por Eduardo Kac, ficaram decepcionados, o animal não pôde deixar o laboratório por problemas legais. Porém Kac mostrou pontos tão interessantes quanto o animal. De acordo com o palestrante, a Teoria da Evolução de Darwin apresenta falhas ao afirmar que apenas as mutações são responsáveis pela evolução das espécies.
“A simbiose e a cooperação, dois fatores fundamentais à vida, escaparam da Teoria de Darwin” disse Kac, que se propôs a criar diversas conexões entre esse comentário e o tema da palestra. E ainda encontrou tempo para explicar algumas obras, entre elas o Lance 36, uma alusão à jogada que levou à derrota o campeão de xadrez russo Garry Kasparov na partida contra o supercomputador Deep Blue.
A citação “Deus criou o universo como um grande relógio e deixou a máquina funcionando sozinha, então o homem se proclamou livre para alterar a natureza ao seu redor” sintetiza o discurso de Paula Sibila, que fez um paralelo entre o meio que nos cerca e a preocupação do homem em se autovalorizar. Com o advento das manipulações genéticas, uma nova natureza vem sendo delineada pelo homem, uma espécie de reinvenção da vida. Essa seria a alquimia do DNA.
Por último, o diretor fundador do The Planetary Collegium, na Universidade de Plymouth, Roy Ascott ateve-se ao caso das nanotecnologias. Na esperança de identificar falhas no programa humano (DNA), o artista opina ele: “Nano é pura matéria e pura consciência, é a transição entre moléculas e células”. Roy também explicou sobre fótons, dizendo que se tratavam de uma ajuda para criar alguns tipos de vida.
- Simpósio Emoção Art.ficial 2.0 5/7/04 – Mesa 9
- Simpósio Emoção Art.ficial 2.0 5/7/04 – Mesa 9
- Eduardo Kac
- Roy Ascott













