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Arte evolucionária

com Jon McCormack, 2 de julho de 2010

O processo de evolução por seleção natural explica como as espécies mudam e se adaptam sem metas causais explícitas nem ajuda externa. A evolução é um fato. Ela mostra como sistemas de vida complexa surgem de forma autônoma, de baixo para cima, sem que haja um planejador central ou um demiurgo controlador. No campo da arte, métodos e processos elaborados com códigos de computador simulam exatamente esse princípio.

Saiba mais sobre a interação entre arte e ciência na Enciclopédia de Arte e Tecnologia.

Jon McCormack é um dos artistas de novas mídias mais representativos da Austrália, cujo trabalho já foi exibido em toda a Europa, na Ásia e nas Américas. É codiretor do Centro de Mídia Arte Eletrônica da Universidade de Monash, em Melbourne, onde também atua como professor sênior de ciência da computação.

Interação, emergência e autonomia

com Paul Pangaro, 3 de julho de 2010

Uma reflexão sobre os temas abordados em cada uma das edições da trilogia cibernética do Emoção Art.ficialinterface, emergência e autonomia – gera a proposta de uma segunda trilogia: conversa, vínculos e autopoiese. E esses três conceitos, por sua vez, apontam para outra tríade possível: consciência, significado e ser humano.

Paul Pangaro estudou ciência da computação no MIT e fez doutorado em cibernética na Universidade de Brunel. Trabalhou com o cientista Jerry Lettvin em modelos neurais, com Nicholas Negroponte – um dos fundadores e diretor do Media Lab do MIT – em sistemas de animação e com Gordon Pask em cibernética da aprendizagem. Sua empresa, Pangaro Inc., fundada em 1981, presta serviços de consultoria a corporações como a Sun Microsystems, General Motors e Xerox.

Emergência

Conheça duas obras de Leonel Moura: Robotarium (o primeiro zoológico de robôs do mundo) e RAP3 – Robotic Action Painter (um robô-artista que produz pinturas abstratas).

Conheça também The Mutation of the White Doe, obra de Nicolas Reeves, que traz releituras imprevisíveis de uma canção folclórica escandinava.

Obras e emergência

Saiba mais sobre RAP3 – Robotic Action Painter, obra de Leonel Moura.

Conheça Robotarium, o primeiro zoológico de robôs do mundo), também criado pelo artista.

Leia a resenha de Emergência, a Dinâmica de Rede em Formigas, Cérebros e Cidades, de Steven Johnson: sistemas interconectados, neurologia, teoria da evolução e estudos urbanos.

Evolved Virtual Creatures

 

por Karl Sims (Estados Unidos, 1994)

O vídeo é resultado de uma pesquisa que simulou a evolução darwiniana por meio de centenas de criaturas virtuais – que “vivem” dentro de um CM-5, supercomputador elaborado na década de 1980 pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). No processo da experiência, cada uma dessas criaturas realmente evoluiu, aprendendo a executar determinadas tarefas – como nadar em um ambiente aquático simulado.

Para saber mais: assista à palestra de Jon McCormack. O artista mostra como sistemas de vida complexos surgem de forma autonôma, sem que haja um planejado central.

Artista, cientista e empresário, Karl Sims é o fundador da Genarts, empresa norte-americana que cria softwares de efeitos especiais para a indústria cinematográfica. Estudou computação gráfica no MIT e graduou-se, pelo mesmo instituto, em ciências da vida.

Spore

de Will Wright (EUA, 2008)

Editor de criaturas parte integrante de um jogo de computador desenvolvido pela empresa de games Electronic Arts. É um épico de vida artificial que engloba a origem de uma vida, sua evolução, a criação de uma civilização tecnológica e eventualmente seu fim.

Will Wright é criador de games clássicos como SimCity e The Sims.

Mikado_Xplosion

 

de Pascal Dombis (França, 2008)

 

Plotagem de uma obra classificada como software art. Trata-se de uma sobreposição de 1,5 milhão de linhas coloridas, que remetem ao jogo infantil das varetas chinesas. A obra é derivada de um programa de computador baseado numa imagem geométrica simples, que tem o formato de uma árvore. O trabalho foi elaborado para ser aplicado na fachada do prédio do Itaú Cultural.

Saiba mais sobre emergência, conceito central para alguns criadores de arte tecnológica.

Pascal Dombis vive e trabalha em Paris, França. Sua obra recebeu menção honrosa no Ars Electronica em 1994 e já foi apresentada em exposições de arte generativa e fractal em toda a Europa e nos Estados Unidos. O artista explora a coexistência paradoxal entre controle ordenado e forças aleatórias caóticas.

Tumbling Dream Chambers

 

de Boredomresearch (Inglaterra, 2007)

 

Trabalho de vida artificial composto de duas obras anteriores: Biomes e Randomseeds. É formado por cinco displays semelhantes a pratos Petri – recipientes de vidro usados em experimentos científicos e para cultura de bactérias em laboratórios – que são “inoculados” por duas “sementeiras” (na verdade, pequenos computadores). Nos biomas, microorganismos artificiais nascem, evoluem e morrem.

Conheça também Eden, de Jon McCormarck, um ecossistema de vida artificial.

Boredomresearch é um coletivo inglês formado por Paul Smith e Vicky Isley, pesquisadores de animação e arte computacional na Universidade de Bournemouth, Inglaterra.

PixFlow #2

 

de LAb[au]  (Bélgica, 2007)

PixFlow #2Escultura na forma de um console composto de quatro displays dispostos horizontalmente. Um programa simula um campo vetorial em que partículas fluem conforme a evolução de sua densidade. A interação mútua que se desenrola no campo provoca a emergência de comportamentos totalmente imprevisíveis das partículas.

Saiba mais sobre emergência, conceito central para alguns criadores de arte tecnológica.

LAb[au] é um coletivo belga fundado em 1995 por Els Vermang, Jérôme Decock e Manuel Abendroth. As áreas de interesse do grupo extrapolam a arquitetura e o urbanismo (presentes na sigla) e englobam software art e vjeing. Além disso, eles promovem simpósios e workshops com nomes de peso como Lev Manovich, Marcos Novak e Stanza.

Bacterias Argentinas

 

de Santiago Ortiz (Colômbia, 2004)

 

Obra de web art em que um modelo dinâmico de agentes autônomos – na forma de palavras em uma rede gramatical – come um ao outro. Nesse processo, as “bactérias” trocam informações genéticas e promovem a emergência de narrativas inusitadas. 

Saiba mais sobre autonomia, conceito central para alguns criadores de arte tecnológica.

Santiago Ortiz é artista, matemático e pesquisador de arte, ciência e campos de representação. Trabalha com técnicas de comunicação, criação e expressão em que se combinam narrativa e literatura, espaços digitais e arquitetônicos.