por Marco Aurélio Fiochi. 4 de Julho de 2004
fotos Rubens Chiri
Em cenário onde os usuários da internet se tornam avatares, ou seja, ganham um corpo virtual; onde as comunidades de discussão despontam como alternativa para pessoas com interesses e ideologias comuns; e onde é possível subverter o funcionamento das instituições por meio de ações globais que afrontam seu poder, surgem no ciberespaço iniciativas e experimentos artísticos que deixam o homem da era tecnológica cada vez mais individualizado. É a chamada subjetividade em rede.
No terceiro dia do simpósio internacional Emoção Art.ficial 2.0 – Divergências Tecnológicas, as experiências de interação homem-máquina foram a pauta da mesa Subjetividades em Rede, que reuniu Mariela Yeregui, Minerva Cuevas, Sara Diamond, Giselle Beiguelman, Suzette Venturelli e Mario Maciel, com mediação da artista Paula Perissinotto.
Mariela Yeregui, artista residente do Media Centre d’Art i Disseny, Mecad, em Barcelona , centrou sua apresentação na criação em novos meios, que classifica como trabalhos “na” e “para” a rede. Segundo ela, o intercâmbio entre as pessoas no espaço virtual permite criar marcos ideológicos. “A identidade do sujeito, sua postura contrária ao discurso dominante, surge dessa mobilização. Ela desperta o poder de ativismo e resistência das pessoas”, ressaltou.
A postura é compartilhada pela artista mexicana Minerva Cuevas, cuja obra Mejor Vida Corp. (1998), em exibição na mostra Emoção Art.ficial 2.0, é um libelo em favor da democracia e inclusão dos marginalizados na rede.
Trata-se de uma empresa fantasma virtual, que subverte símbolos publicitários, mostrando o “outro lado” de produtos e instituições. Um exemplo da atuação da MVC é a campanha sobre o Instituto de Informação e Estatística do México, Inegi, a qual denuncia que a instituição exclui os indigentes de seu censo. Outro serviço prestado pela “empresa” via internet são credenciais para que estudantes obtenham descontos. Códigos de barra criados pela MVC permitem que consumidores comprem produtos mais baratos nos supermercados.
Desmistificando a rede – Sara Diamond, videoartista e produtora executiva do Banff Centre, Canadá, defendeu os ambientes colaborativos de criação e desenvolvimento online. Segundo ela, é necessário desmistificar e criar comportamentos pessoais no espaço virtual. Tal processo é demonstrado no vídeo do projeto CodeZebra. A obra inicia-se com dramatizações, que são filmadas, e chegam à internet, onde a subjetividade está implícita, delineando toda a experiência.
Sara e o Banff Centre estiveram presentes na primeira edição de Emoção Art.ficial, em 2002, com a obra Talk Nice, que analisava a forma como as pessoas se expressavam na rede.
Giselle Beiguelman, artista e professora da PUC/SP, destacou a ação da “sociedade de controle” no espaço doméstico e no corpo. Como exemplo, citou os smart cards, que monitoram o que as pessoas consomem. “Passamos a ser bancos de dados ambulantes, é um cenário muito parecido ao retratado por Steven Spielberg em seu filme Minority Report“, observou. “Em uma experiência ocorrida em Tijuana, México, chips foram implantados em crianças para monitorá-las, a fim de evitar seqüestros”, contou. Segundo a professora, essas ações significam que os corpos mudaram de estatuto na nova era e agora são tecnologizados, sistemas híbridos.
Suzette Venturelli, artista e professora da UnB, Brasília, e Mario Maciel, que juntos expõem em Emoção Art.ficial 2.0 a obra F69, trouxeram para o palco do simpósio o Robowww, experimento de arte robótica em desenvolvimento pela dupla. Educação a distância, com programas que simulam laboratórios, e a criação de games para celulares foram alguns dos assuntos abordados em sua apresentação.
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Simpósio Emoção Art.ficial 2.0 4/7/04 – mesa 5
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Simpósio Emoção Art.ficial 2.0 4/7/04 – mesa 5
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Giselle Beiguelman
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Sara Diamond
Tags: Canadá, Espanha, internet, sociedade da informação
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