Brasil « emocao art.ficial

MetaCampo

 

por SCIArts (Brasil, 2010)

Informações sobre a direção do vento, capturada por uma biruta fixada na parte externa do prédio do Itaú Cultural, são enviadas a um computador que, por sua vez, controla um ventilador disposto sobre uma plantação artificial – um plano formado por hastes flexíveis, semelhante a um campo de trigo, presente no espaço expositivo.

Para entender a obra: leia a resenha de Virtual Art – From Illusion to Immersion, de Oliver Grau, sobre a evolução da representação da natureza na arte, seguindo o curso das mudanças tecnológicas.

Equipe interdisciplinar que desenvolve suas obras com base na interseção entre arte, ciência e tecnologia, a SCIArts tem um núcleo fixo de integrantes, mas realiza trabalhos com técnicos, cientistas, teóricos e artistas convidados. Atualmente é formada por Bruno Bastos, Fernando Fogliano, Iran Bento de Godói, Julia Blumenschein, Luiz Galhardo, Milton Sogabe, Renato Hildebrand e Rosangella Leote.

Ballet Digitallique

 

por Lali Krotoszynski (Brasil, 2010)

 

Nesta instalação, a silhueta dos espectadores é capturada por uma câmera e, em seguida, transformada e projetada sobre uma parede. O decalque da sombra se movimenta pelo espaço virtual segundo informações físicas e visuais decodificadas por um programa de computador, o qual aciona parâmetros relativos ao Sistema Laban, voltado à análise do movimento humano.

Saiba mais sobre interatividade, conceito central para alguns criadores da arte tecnológica.

Lali Krotoszynski atua como performer e coreógrafa desde 1981. Desenvolve seu trabalho individualmente e em colaboração com artistas plásticos, fotógrafos, músicos, videoartistas, coreógrafos e bailarinos. Atualmente sua pesquisa envolve a busca de narrativas emergentes em interfaces digitais.

Caracolomobile

 

por Tania Fraga (Brasil, 2010)

Um organismo artificial, semelhante a um caracol, tem a capacidade de reconhecer diferentes estados emocionais humanos, respondendo a eles de modo expressivo por meio de sons e movimentos. A obra é inspirada na computação afetiva, campo de pesquisa cujo foco é a interação “psíquica” entre humanos e sistemas artificiais.

Saiba mais sobre interatividade, conceito central para alguns criadores da arte tecnológica.

Tania Fraga é artista e arquiteta. Doutora em comunicação e semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP), realiza pós-doutorado na USP. Foi professora do Instituto de Artes da Universidade de Brasília (UnB), onde atua como pesquisadora associada. Trabalha com arte computacional interativa desde 1987, usando tecnologias de realidade virtual.

Projeto Amoreiras

 

por Grupo Poéticas Digitais (Brasil, 2010)

Cinco amoreiras reais, dispostas em frente à sede do Itaú Cultural, “aprendem” – por meio de um dispositivo de medição de poluição sonora – a vibrar ao captar um ruído. O projeto tem o objetivo de, com isso, aumentar as chances de sobrevivência das árvores, agora capazes de produzir alertas em possíveis situações de risco.

Saiba mais sobre autonomia, conceito central para alguns criadores de arte tecnológica.

O Grupo Poéticas Digitais – que, para este projeto, contou com a participação de Gilbertto Prado, Agnus Valente, Andrei Tomaz, Claudio Bueno, Daniel Ferreira,  Luciana Ohira, Lucila Meirelles, Mauricio Taveira, Nardo Germano, Sérgio Bonilha, Tania Fraga e Tatiana Travisani – foi criado em 2002 no Departamento de Artes Plásticas da Universidade de São Paulo (USP). O coletivo visa gerar um núcleo multidisciplinar, promovendo o desenvolvimento de projetos experimentais e a reflexão sobre o impacto das novas tecnologias no campo das artes.

A artemídia é (re)definida em caloroso debate

por Ana de Fátima Sousa, 12 de Agosto de 2002
fotos de Carol Lambert

O termo artemídia foi o grande alvo de debate da primeira mesa do simpósio [ emoção art.ficial ]. Os palestrantes Alex Adriaansen (V2_ Organisation/Holanda), Cláudia Giannetti (MECAD/Espanha), Arlindo Machado (PUC/Brasil) e Monika Fleishmann (MARS/Alemanha) apresentaram um consenso em torno das infinitas possibilidades de definição. Todos afirmam que essa nova expressão artística é um campo instável, maleável, repleto de variantes, e essa é sua maior qualidade. É somente em um meio de instabilidade que a criatividade emerge.

Um dos destaques da mesa foi um discurso afiado e destilado pelo holandês Alex Andriaansen, um dos artistas-fundadores da V2_ Organisation. É dele a definição de mídia instável para a produção de artemídia. “A instabilidade dá aos objetos e aos processos artísticos a qualidade de dinamismo, de possibilidade de transformação”, afirma. Segundo ele, o estado “instável” pode ser apontado como a força que desequilibra a estrutura homogênea das coisas. “O conflito é absolutamente necessário para a criação em artemídia e para transformação do mundo também”, acredita.

Andriaansen apresentou ainda uma nova visão que se tem da relação homem-máquina. Se antes o homem operava as máquinas, hoje ele trabalha junto a elas. Existe uma intensa rede de colaboração, o que o teórico chama de relação ‘maquímica’ (máquina + química).

A palestra do professor brasileiro Arlindo Machado também foi um dos grandes momentos da mesa. “Particularmente acho que o termo artemídia tem sido interpretado de forma mais restrita, que é a que associa unicamente o aspecto técnico de usar equipamentos eletrônicos para produzir belas obras. O que esse novo artista de fato produz? Ele desprograma a máquina, dá uma nova função para os aparatos tecnológicos”, garante. A máquina, segundo Machado, passa a operar de forma transgressora, exerce um papel novo e se insere socialmente. “Os críticos presos à tradição descrevem a artemídia como efêmera, epidérmica, superficial. Mas espertos são os críticos que enxergam a nova arte como um percurso natural de transformação das expressões humanas”, aponta.

A envolvente e didática palestra de Arlindo foi encerrada com uma referência ao pensador alemão Walter Benjamim, que – à sua época – já previa o eterno embate de definições da arte. “O problema não é saber o que podemos considerar ou não como arte. O que de fato importa é perceber que a simples existência dos novos produtos coloca em crise antigas definições e exige uma reformulação do pensamento”.

A clara paixão de todos os palestrantes pelo tema [artemídia] ficou evidente na palestra da diretora do MARS, Monika Fleishmann. “A IBM tem muito mais influência em nossas vidas do que 40 anos de comunismo, o que praticamente já esquecemos. Mas a nossa relação com a tecnologia é intensa, envolve-nos completamente, deixa-nos inquietos para transformar o mundo”, disse categoricamente.

Uma boa nova que vai agradar técnicos, artistas e curiosos em geral, foi dada pela representante do MECAD -media center espanhol – Cláudia Giannetti. A Escola Superior de Disseny da instituição oferece bolsas para mestrados e cursos regulares. As inscrições estão abertas e podem ser feitas no site da instituição [www.mecad.org].

Ambiente virtual precisa emocionar

por Ana de Fátima Sousa, 14 de agosto de 2002
fotos de Carol Lamberti

O simpósio [ emoção art.ficial ], na primeira mesa da quarta-feira (14), discutiu o processo de criação de interfaces e de ambientes imersivos. Todos os trabalhos e as propostas apresentados têm como foco principal a inserção de elementos extremamente humanos para gerar interatividade, interesse, emoção. Ambiente virtual sem uma narrativa humana é somente um espaço vazio.

Uma das fortes defensoras dessa linha de pensamento é a artista Elizabeth Vander Zaag (Banff Centre/Canadá). “Por que as novelas fazem tanto sucesso na TV? Porque exibem diariamente novas histórias, sempre traduzem sentimentos como ódio, amor, surpresa. O espectador se espelha nas histórias e por isso entra por completo nessa trama”, explica. Segundo ela, no ciberespaço é a mesma coisa. “Toda e qualquer obra produzida para o homem, precisa conquistá-lo, dar-lhe a sensação de poder interagir com aquele mundo”.

Elizabeth Zaag é a criadora da obra Talk Nice [que está na exposição, em cartaz até outubro, no Itaú Cultural] na qual duas garotas batem papo com os visitantes. A obra funciona pela modulação de voz do usuário. Dependendo das entonações vocais, as garotas “aceitam” o espectador e estabelecem uma comunicação mais amigável.

Outro trabalho apresentado pela canadense foi desenvolvido 1990 e dá dicas de como falar gentilmente com um homem. Uma obra simples, barata, que, segundo a criadora, usa a interatividade muito mais saudável, que é aquela que traz interface e narrativas “amigáveis”.

O alemão Joachim Sauter (ART+COM) apresentou uma série de projetos criados na instituição que ele dirige. Uma das peças mais belas da apresentação foi Time Traveller, na qual o usuário pode navegar por imagens ou filmes de paisagens que foram capturadas em diferentes épocas. Uma das opções é dar uma olhada panorâmica em um vasto campo de Berlim em que, ao sobrepor a imagem do passado, volta-se à época em que o muro de Berlim estava solidamente erguido neste cenário e dividia a Alemanha em duas.

Se existem possíveis receitas para que o ambiente imersivo multiusuário seja usado, o também alemão Wolfgang Strauss (MARS) tem uma. Segundo ele, existem cinco passos: 1 – usuário identifica a estrutura e as regras; 2 – usuário joga com elas (regras e estrutura) 3 – usuário reflete como a ação acontece; 4 – usuário percebe a presença dos outros participantes; 5 – os usuários tentam se comunicar.

O ciberespaço brasileiro foi revelado na palestra de Suzete Ventturelli (UnB). A professora apresentou seus projetos, que vão desde interfaces para multiusuários até sua recente pesquisa na linguagem de games, e trouxe também projetos de outros artistas do país como André Parente, Gilbertto Prado, Diana Domingues, Rejane Cantoni, Daniela Kutschat e Tânia Fraga.

História e Política na Arte Tecnológica

por Ana de Fátima Sousa. 3 de julho de 2004
Fotos Rubens Chiri

A manhã do sábado foi o momento de reverenciar pioneirismos na história da artemídia e discutir as funções social e política desse tipo de produção.

A primeira mesa, As Redes e os Novos Espaços de Intervenção, trouxe nomes que se confundem com a cronologia da produção de arte tecnológica. Clemente Padin (Uruguai), Paulo Bruscky (Brasil), Fred Forest (França) e Gilbertto Prado (Brasil) remeteram a platéia ao século passado, à década de 1960, quando esses e outros artistas já faziam uso dos correios para criar obras inovadoras.

Foi nos idos anos rebeldes que nasceu a mail art. Impregnada do espírito sessentista/setentista, a idéia que motivava os então jovens criadores era o desejo de apenas comunicar, o que era transgressor para a época, especialmente em cenários de ditadura. Clemente Padin abriu a discussão e destacou como essa manifestação trazia, e traz, a inter-relação humana. “Essas ferramentas que começavam a surgir permitiam ampliação de alcance, diminuição de fronteiras.” Com ares poéticos, Padin disse que o grande valor da arte via redes é ser “uma arte que não se compra, o que interessa é a comunicação”.

Atitude de transgressão
– “A arte postal era a saída mais viável para a arte antiburguesa, anticomercial”, explicou o pernambucano Paulo Bruscky – que teve importante papel no Brasil tanto para arte postal como para videoarte e arte xerográfica. Segundo ele, essa atitude de ir contra o que era esperado no mercado garantiu que a arte retomasse sua função de comunicar.

Bruscky relatou como os “artistas-correio” sofreram com os regimes de censura na América Latina. Em 1975 ele foi parar na prisão. “Naquela época não se sabia quem estava prendendo você e nem para onde se estava sendo levado. Mas como o governo federal mais tarde abriu processo contra mim, creio que se tratava da Polícia Federal.” Outro que conheceu a prisão brasileira foi Fred Forest. Em 1973, quando participava da Bienal Internacional de São Paulo, fez uma performance em pleno Viaduto do Chá, em que as pessoas erguiam cartazes em branco. Os agentes do Dops acharam aquilo suspeitíssimo e prenderam o francês por precaução. Forest ficou detido por algumas horas até que Walter Zanini, da organização da Bienal, conseguiu sua liberação. Clemente Padin também foi preso em seu país e teve sua correspondência “interditada” por vários anos.

Paulo Bruscky descreveu ainda que obras coletivas e globais já aconteciam na antiga forma de correspondência: “correntes” distribuiam uma obra em construção e cada membro da lista dava sua contribuição. Ele lançou uma fala que marcou a discussão de toda a manhã do simpósio. “A arte-correspondência foi a primeira expressão a substituir os museus pelos arquivos pessoais dos artistas.”

Em sua explanação, Gilbertto Prado uniu cronologia e reverência aos pioneiros das novas formas de expressão artística. Reforçou a característica contestatória que congregava esses artistas, citou Roy Ascott como pai da arte telemática, destacou a importância da obra de Fred Forest, Antoni Muntadas, Bruscky e Padin, e fez uma homenagem a Walter Zanini. “Como articulador e crítico, Zanini exerceu papel fundamental e corajoso, fez com que as portas fossem abertas a esses artistas.”

A mesa foi encerrada com Fred Forest, que agradeceu a iniciativa do Emoção Art.ficial de trazer os “anciãos” da artemídia. E destacou a função de sua geração, justamente a de criar uma ação a distância, uma arte de colaboração, de interatividade. “Criamos um modelo que valorizava nossa relação com o mundo. Enquanto a arte tradicional tentava representar e/ou compreender o mundo, essa nova forma tentou agir sobre o mundo, interferir nele.” O artista desse novo modelo se apropria dos meios e pode sim ter poder, já que tem certa autonomia do sistema de arte. E desafiou a platéia: “Nós já fizemos o nosso papel. A vocês cabe encontrar um outro modelo”.

Politização
– A segunda mesa tinha a missão de discutir formas de politizar o debate sobre arte e tecnologia. O catalão Antoni Muntadas foi econômico nas palavras e, objetivo, disse que “se antes a cultura estava presa ao Estado, hoje ela está ligada a instituições que representam grandes corporações e interesses econômicos”. Na seqüência apresentou um slide-show que mistura poder hegemônico, fusão de culturas e uma nítida crítica à banalização.

O alemão Oliver Ressler mostrou a própria forma de politizar. Sua obra artística questiona sempre temas como racismo, migração, engenharia genética.

O argentino Jorge La Ferla, que tem tradição de falas calorosas, abriu dizendo que sempre há perda de discurso político: “Isso não muda com o tempo”. Para ele, perde-se muito tempo falando do novo, vanguarda, e isso não tem nenhuma relevância. “O importante é o que se diz, por que se diz.” La Ferla pegou o gancho de Muntadas, mas amenizou a fala do colega: “É verdade que as grandes instituições estão ligadas a empresas ou grupos poderosos, mas também é fato que são elas que permitem debates como este”. Em sua apresentação, mostrou um histórico das mais importantes instituições de fomento à artemídia, e o ZKM, por exemplo, já foi fabricante de armas de guerra.

La Ferla destacou a evolução da produção brasileira e citou artistas como Rejane Cantoni, Daniela Kutschat, Tânia Fraga como passionais, e que impulsionam de forma extremamente criativa o movimento. A produção teórica de Lúcia Santaella e Arlindo Machado também foi citada como de grande relevância.

A cubana Coco Fusco começou mostrando preocupação com o título da mesa Arte e Tecnologia: Como Politizar o Debate?: “Faz-me pensar: o debate já existe? É só um debate? Esse debate não é politizado?” e continuou “se o mero acesso à tecnologia já inclui ou exclui indivíduos, todo uso da tecnologia é político”. Com uma produção focada no feminismo tecnológico, Coco apresentou trechos de seu mais recente vídeo.

O italiano Davide Grassi, residente na Eslovênia, quebrou a atmosfera séria da mesa, apresentando sua “empresa”, a Problemarket.com – Problem Stock Exchange, que permite a troca de problemas de toda e qualquer proporção e por tempo ilimitado. Sua apresentação com ares de entretenimento foi fechada com a entrega de um certificado de troca de problemas com o presidente Lula – que teria enviado uma solicitação de troca para se livrar da questão dos transgênicos. Com o presidente ausente, a representação nacional ficou a cargo do moderador da mesa, Lucas Bambozzi.

Divergências Sobre Temas Subversivos

Por Carlos Costa. 3 de Julho de 2004
Fotos Rubens Chiri

Divergências e insubordinações permearam os debates finais do segundo dia do simpósio. Os temas sugeridos impulsionaram discursos subversivos, e as diversidades de opiniões e posturas definiram os resultados.

À tarde, a mesa Poéticas e Perspectivas da Artemídia reuniu Anne-Marie Duguet, Christine Mello, Cláudia Giannetti, François Soulages e Ivana Bentes, com moderação de Milton Sogabe. Na abertura do diálogo, Sobage destacou a importância do tema, “assunto que perpassa todas as mesas do simpósio”.

Teórica da arte e professora da Universidade Paris I (Sorbonne), Anne-Marie escolheu a perspectiva da memória da artemídia para iniciar a conversa. “Um arquivo não é simples acumulação, e as informações não podem ser agrupadas de forma amorfa”, assim, ela discorreu sobre o projeto de uma enciclopédia virtual em DVD que coordena, exibindo trechos do trabalho. “Não é a quantidade de informações que importa. É a releitura, o novo ensaio.”

O francês François Soulages, professor da Universidade Paris 8, falou do trabalho de pesquisa que desenvolve sobre a relação entre corpo e web, que classificou como psíquica e erotizada. “A dupla natureza do desejo marca a relação do corpo com a internet. Essa relação e seus inúmeros significados e conseqüências são matéria de destaque na produção artística de artemídia.”

A diretora do Media Centre d´Art i Disseny, Mecad, de Barcelona, Cláudia Gianetti, esboçou por meio de didáticos gráficos o não-linear desenvolvimento da artemídia, desde seus primórdios, relacionando artistas, obras, marcos históricos científicos e questões estéticas. Ivana Bentes, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, UFRJ, comentou sobre os caminhos da artemídia apresentando obras diversas. Ambas lembraram do trabalho percursor da artista plástica brasileira Lygia Clark (1920-1988).

Terrorismo – O tom subversivo ficou por conta do artigo de Christine Mello, da Universidade de São Paulo, USP, que comparou a produção de artemídia aos atentados terroristas. “Uma metáfora para a compreensão do mundo desmontado.” Christine mostrou as características terroristas de manifestações artísticas contemporâneas, como o trabalho de Lucas Bambozzi. “Os softwares viróticos, as invasões aos sistemas de segurança, a quebra de bloqueios institucionais. A artemídia, tudo isso ocupa zonas de risco e tensão”, definiu.

A mesa final, Inclusão Digital, Software Livre, Códigos Abertos, aprofundou questões políticas e sociais e reafirmou a necessidade de dar acesso digital aos excluídos.

Na mesa, André Lemos, Angie Bonino, Hernani Dimantas, Rejane Spitz e Susana Noguero. O moderador Guilherme Kujawski, do Itaulab, começou o debate reivindicando a manutenção da liberdade de expressão, característica maior da comunicação na web, ameaçada pelo “recrudescimento da legislação de direitos autorais”.

Em seu depoimento, Rejane Spitz, da PUC/RJ, observou que as estimativas mais positivas revelam que apenas cerca de 7% da população mundial têm acesso à web.

Realidades Emergentes

por Carlos Costa. 4 de Julho de 2004
fotos Rubens Chiri

A mesa Realidades Emergentes estimulou caloroso e longo debate entre artistas e público. Com mediação do gerente do Laboratório de Mídias Interativas do Itaú Cultural, Itaulab, Marcos Cuzziol, Diana Domingues, Iliana Hernandez, Rodrigo Alonso e Sílvia Laurentiz discutiram aspectos e usos das realidades virtuais na arte tecnológica.

A brasileira Sílvia Laurentiz, da PUC/SP, apresentou seu ambiente virtual de palavras Community of Words (que está em fase de implantação e ainda não apresenta o resultado: a possibilidade de visualizar uma simulação de estruturas de textos em terceira dimensão, como esculturas virtuais. Mas já mostra a interface final.

Acessando o site, o usuário pode interagir com o acervo de palavras existente. Qualquer pessoa pode colocar poemas e textos na comunidade e observar de imediato as conseqüências. O programa está na primeira fase e o título é provisório. Até a conclusão, passa por duas outras fases.

Diana Domingues, da Universidade de Caxias do Sul, UCS, foi a última a falar e convidou o professor da UCS Eliseo Berni Reategui para participar da mesa. Ambos explicaram intenções e a concepção da ciberinstalação I’mito: Zapping Zone, presente na mostra Emoção Art.ficial 2.0. A obra foi criada pelo Grupo de Pesquisa Integrada ARTECNO da UCS, coordenado por Diana e do qual Reategui faz parte.

O trabalho explora a fabricação de identidades a partir de uma base de dados de 20 personalidades históricas. Um leitor de código de barras interpreta objetos por meio de um programa elaborado com algoritmos genéticos e os associa às identidades de mitos. As informações são transformadas em imagens deformadas com a técnica morphing de computação gráfica e projetadas em telões, que podem ser observados com óculos de 3D.

A pesquisadora Iliana Hernandez, doutora pela Sorbone, leu texto sobre realidades emergentes e ambientes imersivos numéricos. Rodrigo Alonso, da Universidad de Buenos Aires e do Mecad, optou por uma análise mais ampla da questão das realidades emergentes e falou sobre os trabalhos apresentados.

Ao fim, a resposta à questão proposta pela mesa – se a realidade mundial está se beneficiando com a ampliação das realidades virtuais – parece ser positiva.

youTAG

 

de Lucas Bambozzi (Brasil, 2008)

 

Trabalho de web art composto basicamente de um sistema especial de procura de palavras-chave associadas a vídeos e fotos na internet. Por uma busca específica, o visitante recebe em seu e-mail uma peça audiovisual remixada – e de autoria desconhecida – com base em material previamente existente e disponível na rede. Obra vencedora do Rumos Itaú Cultural Arte Cibernética em 2007.

Saiba mais sobre emergência, conceito central para alguns criadores de arte tecnológica.

Lucas Bambozzi é jornalista graduado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Desde os anos 1980 desenvolve estudos e trabalhos sobre expressividade da linguagem audiovisual, com ênfase em meios eletrônicos. Já realizou obras em vídeo, filme, instalação, projetos interativos e internet.