Robotarium SP
por Leonel Moura (Portugal, 2010)
Instalado no Jardim Central de Alverca, em Vila Franca de Xira, Portugal, o Robotarium é o primeiro zoológico de robôs do mundo. Com base nas criaturas portuguesas, cinco pequenos robôs – distintos em sua morfologia e em seu comportamento – foram construídos com exclusividade para a mostra Emoção Art.ficial 5.0 – Autonomia Cibernética.
O artista Leonel Moura trabalha na área de inteligência artificial e robótica. Criou o Robotarium em 2007 e, no mesmo ano, inaugurou em Lisboa a galeria LEONEL MOURA ARTe, voltada exclusivamente para exposições de obras feitas por robôs.
MetaCampo
por SCIArts (Brasil, 2010)
Informações sobre a direção do vento, capturada por uma biruta fixada na parte externa do prédio do Itaú Cultural, são enviadas a um computador que, por sua vez, controla um ventilador disposto sobre uma plantação artificial – um plano formado por hastes flexíveis, semelhante a um campo de trigo, presente no espaço expositivo.
Equipe interdisciplinar que desenvolve suas obras com base na interseção entre arte, ciência e tecnologia, a SCIArts tem um núcleo fixo de integrantes, mas realiza trabalhos com técnicos, cientistas, teóricos e artistas convidados. Atualmente é formada por Bruno Bastos, Fernando Fogliano, Iran Bento de Godói, Julia Blumenschein, Luiz Galhardo, Milton Sogabe, Renato Hildebrand e Rosangella Leote.
Ballet Digitallique
por Lali Krotoszynski (Brasil, 2010)
Nesta instalação, a silhueta dos espectadores é capturada por uma câmera e, em seguida, transformada e projetada sobre uma parede. O decalque da sombra se movimenta pelo espaço virtual segundo informações físicas e visuais decodificadas por um programa de computador, o qual aciona parâmetros relativos ao Sistema Laban, voltado à análise do movimento humano.
Lali Krotoszynski atua como performer e coreógrafa desde 1981. Desenvolve seu trabalho individualmente e em colaboração com artistas plásticos, fotógrafos, músicos, videoartistas, coreógrafos e bailarinos. Atualmente sua pesquisa envolve a busca de narrativas emergentes em interfaces digitais.
Caracolomobile
por Tania Fraga (Brasil, 2010)
Um organismo artificial, semelhante a um caracol, tem a capacidade de reconhecer diferentes estados emocionais humanos, respondendo a eles de modo expressivo por meio de sons e movimentos. A obra é inspirada na computação afetiva, campo de pesquisa cujo foco é a interação “psíquica” entre humanos e sistemas artificiais.
Tania Fraga é artista e arquiteta. Doutora em comunicação e semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP), realiza pós-doutorado na USP. Foi professora do Instituto de Artes da Universidade de Brasília (UnB), onde atua como pesquisadora associada. Trabalha com arte computacional interativa desde 1987, usando tecnologias de realidade virtual.
Projeto Amoreiras
por Grupo Poéticas Digitais (Brasil, 2010)
Cinco amoreiras reais, dispostas em frente à sede do Itaú Cultural, “aprendem” – por meio de um dispositivo de medição de poluição sonora – a vibrar ao captar um ruído. O projeto tem o objetivo de, com isso, aumentar as chances de sobrevivência das árvores, agora capazes de produzir alertas em possíveis situações de risco.
O Grupo Poéticas Digitais – que, para este projeto, contou com a participação de Gilbertto Prado, Agnus Valente, Andrei Tomaz, Claudio Bueno, Daniel Ferreira, Luciana Ohira, Lucila Meirelles, Mauricio Taveira, Nardo Germano, Sérgio Bonilha, Tania Fraga e Tatiana Travisani – foi criado em 2002 no Departamento de Artes Plásticas da Universidade de São Paulo (USP). O coletivo visa gerar um núcleo multidisciplinar, promovendo o desenvolvimento de projetos experimentais e a reflexão sobre o impacto das novas tecnologias no campo das artes.
Evolved Virtual Creatures
por Karl Sims (Estados Unidos, 1994)
O vídeo é resultado de uma pesquisa que simulou a evolução darwiniana por meio de centenas de criaturas virtuais – que “vivem” dentro de um CM-5, supercomputador elaborado na década de 1980 pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). No processo da experiência, cada uma dessas criaturas realmente evoluiu, aprendendo a executar determinadas tarefas – como nadar em um ambiente aquático simulado.
Artista, cientista e empresário, Karl Sims é o fundador da Genarts, empresa norte-americana que cria softwares de efeitos especiais para a indústria cinematográfica. Estudou computação gráfica no MIT e graduou-se, pelo mesmo instituto, em ciências da vida.
Prosthetic Head
por Stelarc (Austrália, 2003)
Uma projeção em larga escala da cabeça do artista conversa, em inglês, com o público. O software que controla o diálogo é baseado no mecanismo de A.L.I.C.E. (Artificial Linguistic Internet Computer Entity), famoso robô conversador conhecido também por Alicebot, ou simplesmente Alice. O objetivo da obra é demonstrar que, com o advento de novas tecnologias, a diferença entre humanos e máquinas não é mais um problema de identidade, mas de interface.
Stelarc é um artista interessado na arquitetura evolucionária do corpo e em possíveis maneiras de redesenhar o humano, aumentado por implantes e exoesqueletos. Chefe de departamento de arte performática na Universidade de Brunel, Inglaterra, é pesquisador sênior convidado da Universidade de Western Sidney, Austrália.
Hysterical Machines
por Bill Vorn (Canadá, 2006)
Cinco robôs artrópodes movimentam-se de forma orgânica mas brusca: um comportamento inesperado, já que é realizado por máquinas que, supostamente, deveriam ser apenas funcionais. O objetivo da obra é induzir a empatia do espectador a entidades robóticas, que de fato são mais do que um punhado de estruturas metálicas.
Bill Vorn se dedica à arte robótica desde 1992. Professor titular na Universidade de Concórdia, Canadá – onde leciona arte eletrônica –, é responsável pelo laboratório de pesquisa de criação de arte robótica (Alab) do Instituto Hexagrama, também no Canadá.
Bion
por Adam Brown e Andrew H. Fagg (Estados Unidos, 2006)
Uma rede de sensores é ligada a cerca de mil dispositivos que gorjeiam como seres vivos. Cada uma dessas “formas de vida”, chamadas “bion”, comunica-se entre si e reage à presença dos espectadores. O título da obra faz referência a um elemento energético biológico primordial, identificado como “orgone” pelo cientista Wilhelm Reich.
O artista Adam Brown trabalha na fronteira entre ciência, tecnologia e arte. Ele se interessa, mais especificamente, pelas relações entre humanos e vidas sintéticas. Andrew H. Fagg é doutor em ciência da computação e atua como professor associado de bioengenharia na Universidade de Oklahoma, Estados Unidos.
Silent Barrage
por SymbioticA (Austrália – Estados Unidos, 2008-2009)
Robôs movem-se verticalmente ao longo de várias colunas, deixando rastros que são, na verdade, a representação dos disparos de neurônios de roedores, cultivados num recipiente de vidro localizado a milhares de quilômetros de distância. Paralelamente, sensores ao largo da instalação capturam os movimentos do público, que, por sua vez, também fazem os robôs se deslocarem.
O coletivo SymbioticA une os artistas Guy Ben-Ary e Philip Gamblen, os engenheiros Peter Gee, Nathan Scott e Stephen Bobic e o dr. Steve Potter, neurocientista do Laboratório de Neuroengenharia de Georgia Tech, Atlanta, Estados Unidos. Instalado na Escola de Anatomia e Biologia Humana da Universidade da Austrália Ocidental, o grupo une a arte à ciência, incentivando o pensamento crítico sobre as questões éticas e culturais que envolvem a manipulação da vida.
Autoportrait
por robotlab (Alemanha, 2002)
Munido de uma caneta, um robô traça retratos de humanos e, em seguida, destrói as imagens – ato que questiona, entre outras coisas, a universalidade da autoria e o antropocentrismo do fazer artístico.
robotlab é um grupo fundado em 2000 por Matthias Gommel, Martina Haitz e Jan Zappe, artistas interessados no uso experimental e artístico de robôs industriais – máquinas normalmente utilizadas em fábricas. O coletivo é parceiro do Centro de Arte e Mídia de Karlsruhe (ZKM), na Alemanha.

































