Por Marco Aurélio Fiochi, 5 de Julho de 2004
Fotos Rubens Chiri
A discussão sobre os Espaços Virtuais Imersivos, mesa que abriu o quarto e último dia do simpósio internacional Emoção Art.ficial 2.0, não poderia começar de modo mais sugestivo: para falar das caves, consideradas o estágio mais avançado de imersão no ciberespaço, o professor da PUC/SP, crítico e curador Arlindo Machado retrocedeu dois mil anos e situou o embrião dessa experiência na Alegoria da Caverna de Platão. “A cave, ou Automatic Virtual Environment, é a integração entre o natural, a caverna, e o artificial, o espaço cibernético. A ‘cave’ de Platão era um ambiente natural, diferente da cave digital, que não possui nenhum elemento real”, observa.
Machado cita dois trabalhos que conjugam ambientes naturais e artificiais: as obras Teleportando um Estado Desconhecido, de Eduardo Kac, e ADA – Anarquitetura do Afeto, de Simone Michelin, ambas em exposição na mostra Emoção Art.ficial 2.0. “São exemplos de caves que suplantam a cave platoniana, pois têm o dentro e o fora.”
Cinema – André Parente, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, comunga com Machado a teoria de que o cinema é um dos principais ambientes de imersão. “O cinema requer um transporte psicológico. Nenhuma tecnologia me faz interagir mais do que o cinema, ele é multimídia”, acredita Parente. Doutor em cinema pela Universidade de Paris VIII, ele trabalha desde 1997 com as interações entre o movimento cinemático, o audiovisual e a imersão virtual. “A virtualidade não depende de tecnologia. Vivemos da mesma forma imersos na linguagem, no simulacro e no ciberespaço,de acordo com o pensamento de Saussure, Baudrillard e Virilio.”
Já a artista e professora da PUC/SP Rejane Cantoni faz o contraponto e defende a tecnologia como fator determinante para a imersão. A posição encontra eco nas palavras de Tânia Fraga. Entre os projetos, ou sonhos, como prefere classificar, da artista e arquiteta estão ambientes imersivos como a “casa-tartaruga”, a “casa-borboleta” e a “casa-concha” – que pode crescer ou diminuir de acordo com a necessidade de seu morador.
Na contramão da corrente tecnológica, Machado encerrou a discussão declarando que na imersão leva-se em consideração apenas o aparato técnico. “É necessário considerar o envolvimento psicológico do interator, sua predisposição em interagir, projetar-se, imergir psicologicamente.”
- Simpósio Emoção Art.ficial 2.0 – 05/07/2004
- Simpósio Emoção Art.ficial 2.0 – 05/07/2004
- Simpósio Emoção Art.ficial 2.0 – 05/07/2004
- Andre Parente
- Arlindo Machado








